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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

M-Pesa: celular é dinheiro na África

A união da essência móvel do celular com o princípio da mobilidade do dinheiro, mais do que uma previsão para o futuro, já é uma realidade. Que o digam os milhões de africanos do Quênia, usuários do serviço de mobile money mais popular do mundo, o M-Pesa.
No início de 2007 a Safaricom, maior operadora de celulares daquele país, já tinha percebido que o mercado paralelo de vendas de minutos de conversa para celular representava um enorme potencial de negócios. Sem acesso a serviços bancários, mas já portadores de aparelhos de celular, os quenianos compravam créditos para celular em minutos e os transferiam uns aos outros como se fossem remessas monetárias, configurando um meio de pagamento informal. A Safaricom, do grupo europeu Vodafone, resolveu então entrar no circuito para tirar proveito dessa cultura emergente de uso do celular como instrumento de pagamento.
Foi assim que em março de 2007 nasceu o M-Pesa, serviço de mobile money da Safaricom. Juntando o "M" de mobile com o "pesa", dinheiro em suahili, língua da maioria dos quenianos, o serviço se tornou um sucesso imediato. Mais seguro e eficiente do que o mercado paralelo de minutos, o uso do M-Pesa foi logo adotado pelos quenianos e hoje atende 10 milhões de clientes, cerca de um quarto da população do país.
Um trabalhador de Nairobi, a capital do Quênia, que queira enviar algum dinheiro para a família que mora no interior compra créditos para o seu celular Safaricom e, via aplicativo do M-Pesa instalado no chip do celular, transfere estes créditos para a mãe ou a esposa. Com os créditos já em seu celular, o beneficiário desta transferência se dirige a uma loja da Safaricom em sua localidade e faz a troca por xelins quenianos. Simples assim, este serviço substituiu a principal forma de remessas monetárias para o interior: um envelope cheio de dinheiro entregue em mãos para motoristas dos ônibus interurbanos do país. 
O crescimento explosivo do M-Pesa chamou a atenção do mundo todo e se tornou referência como modelo de uso do celular como instrumento de pagamento. Desde então a Safaricom abriu várias lojas pelo interior, montando uma rede expressiva de agentes próprios e de parceiros que também transacionam com o M-Pesa. Além de adaptar o uso do celular para fazer transferências, pagar contas e comprar ingressos, novos serviços já foram lançados pela Safaricom, como o M-Kesho que permite tomar empréstimos e operar uma conta bancária.
Atualmente o sucesso do M-Pesa extrapolou os limites do Quênia e já foi para a Tanzânia, África do Sul e até mesmo o Afeganistão, sem contar os planos de expansão para o Egito e a Índia. Por tudo isso, o M-Pesa já virou referência em mobile money, só rivalizando internacionalmente com o caso das Filipinas. Mas este já é um assunto para uma próxima coluna.

Fonte: Nextbillion.net | Negócios que reduzem a pobreza

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