Páginas

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Tempo da travessia

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
- Fernando Pessoa

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

M-Pesa: celular é dinheiro na África

A união da essência móvel do celular com o princípio da mobilidade do dinheiro, mais do que uma previsão para o futuro, já é uma realidade. Que o digam os milhões de africanos do Quênia, usuários do serviço de mobile money mais popular do mundo, o M-Pesa.
No início de 2007 a Safaricom, maior operadora de celulares daquele país, já tinha percebido que o mercado paralelo de vendas de minutos de conversa para celular representava um enorme potencial de negócios. Sem acesso a serviços bancários, mas já portadores de aparelhos de celular, os quenianos compravam créditos para celular em minutos e os transferiam uns aos outros como se fossem remessas monetárias, configurando um meio de pagamento informal. A Safaricom, do grupo europeu Vodafone, resolveu então entrar no circuito para tirar proveito dessa cultura emergente de uso do celular como instrumento de pagamento.
Foi assim que em março de 2007 nasceu o M-Pesa, serviço de mobile money da Safaricom. Juntando o "M" de mobile com o "pesa", dinheiro em suahili, língua da maioria dos quenianos, o serviço se tornou um sucesso imediato. Mais seguro e eficiente do que o mercado paralelo de minutos, o uso do M-Pesa foi logo adotado pelos quenianos e hoje atende 10 milhões de clientes, cerca de um quarto da população do país.
Um trabalhador de Nairobi, a capital do Quênia, que queira enviar algum dinheiro para a família que mora no interior compra créditos para o seu celular Safaricom e, via aplicativo do M-Pesa instalado no chip do celular, transfere estes créditos para a mãe ou a esposa. Com os créditos já em seu celular, o beneficiário desta transferência se dirige a uma loja da Safaricom em sua localidade e faz a troca por xelins quenianos. Simples assim, este serviço substituiu a principal forma de remessas monetárias para o interior: um envelope cheio de dinheiro entregue em mãos para motoristas dos ônibus interurbanos do país. 
O crescimento explosivo do M-Pesa chamou a atenção do mundo todo e se tornou referência como modelo de uso do celular como instrumento de pagamento. Desde então a Safaricom abriu várias lojas pelo interior, montando uma rede expressiva de agentes próprios e de parceiros que também transacionam com o M-Pesa. Além de adaptar o uso do celular para fazer transferências, pagar contas e comprar ingressos, novos serviços já foram lançados pela Safaricom, como o M-Kesho que permite tomar empréstimos e operar uma conta bancária.
Atualmente o sucesso do M-Pesa extrapolou os limites do Quênia e já foi para a Tanzânia, África do Sul e até mesmo o Afeganistão, sem contar os planos de expansão para o Egito e a Índia. Por tudo isso, o M-Pesa já virou referência em mobile money, só rivalizando internacionalmente com o caso das Filipinas. Mas este já é um assunto para uma próxima coluna.

Fonte: Nextbillion.net | Negócios que reduzem a pobreza

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre a leitura e os livros

A ignorância degrada os homens somente quando se encontra associada à riqueza. O pobre é sujeitado por sua pobreza e necessidade; no seu caso, os trabalhos substituem o saber e ocupam o pensamento. Em contrapartida, os ricos que são ignorantes vivem apenas em função de seus prazeres e se assemelham ao gado, como se pode verificar diariamente. Além disso, ainda devem ser repreendidos por não usarem sua riqueza e ócio para aquilo que lhes conferiria o maior valor. - Schopenhauer

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pensar por si mesmo

No reino da realidade, por mais bela, feliz e graciosa que ela possa ser, nos nos movemos sob a influencia da gravidade, forca que precisamos superar incessantemente. Em compensação, no reino dos pensamentos, somos espíritos incorpóreos, sem gravidade e sem necessidade. Por isso não existe felicidade maior na Terra do que aquela que um espírito belo e produtivo encontra em si mesmo nos momentos felizes.

Schopenhauer

Se esse mundo fosse habitado por verdadeiros seres pensantes, seria impossivel haver essa tolerancia ilimitada em relacao aos ruidos de toda especie inclusive os mais horriveis e despropositados. De fato, se a natureza tivesse destinado o homem a pensar, ela nao lhe daria ouvidos, ou pelo menos os proveria de tampoes hermeticos, como e o caso dos morcegos, que invejo por isso. mas, na verdade, o homem e um pobre animal assim como os outros, cujas forcas sao apenas suficientes para conservar sua existencia. Por isso precisa de ouvidos sempre abertos que lhe anunciem a aproximacao do perseguidor seja de noite ou de dia.